Turismo Gastronômico 2026: Cidades Escolhidas pela Comida

Por Ibrahim Anjro · · 12 min de leitura

Viajantes desfrutando de pratos típicos em um restaurante durante uma viagem gastronômica

Viajar pela comida virou regra, não exceção. Veja os números do turismo gastronômico, as cidades em ascensão e como preparar seu restaurante.

Houve um tempo em que a comida era o que o turista fazia entre um museu e outro. Isso mudou. Em 2026, para uma parcela crescente de viajantes, o restaurante é o motivo da viagem, e o museu é que virou o programa secundário. O turismo gastronômico — viagens em que a experiência culinária é a motivação principal — é hoje um dos segmentos que mais crescem no turismo mundial.

Este guia mostra o tamanho real desse movimento, quais cidades entraram no mapa gastronômico, quem são esses viajantes e, principalmente, o que uma casa independente pode fazer para receber essa gente antes que a concorrência receba.

Resumo rápido do que você precisa saber

  • O mercado global de turismo gastronômico caminha para 2 trilhões de dólares até 2027, crescendo de 14% a 16% ao ano desde 2022.

  • 84% dos viajantes internacionais dizem que a cozinha local influencia a escolha do destino; 92% dizem que ela influencia a escolha da cidade.

  • Viajantes entre 25 e 44 anos puxam o movimento: gastam cerca de 30% do orçamento de viagem com comida, contra aproximadamente 18% das faixas mais velhas.

  • Além do trio clássico Itália-França-Japão, entraram no mapa Lima, Lisboa, Cidade do México, Tbilisi, Singapura, Lyon, Istambul e, cada vez mais, Saigon.

  • Restaurantes independentes em cidades turísticas são os que mais ganham: operações bem posicionadas chegam a 30% a 50% dos couverts vindos de estrangeiros na alta temporada, com ticket médio cerca de 25% maior que o do público local.

Qual é o tamanho do turismo gastronômico em 2026?

Os números que vale conhecer:

  • Tamanho do mercado global: cerca de 1,6 trilhão de dólares em 2025, com projeção de 2 trilhões até 2027.

  • Crescimento anual: de 14% a 16% desde 2022 — bem acima do crescimento do turismo em geral, que fica entre 6% e 8%.

  • Participação no gasto total de viagem: alimentos e bebidas hoje respondem por algo entre 28% e 32% do gasto internacional em viagens, contra 18% a 22% em 2015.

  • Volume de viagens motivadas por comida: estimadas entre 250 e 300 milhões por ano em 2026.

O que esses números contam é uma mudança de posição, não de intensidade. A comida saiu da categoria "coisa que o turista faz enquanto visita um lugar" e entrou na categoria "motivo pelo qual o turista escolhe o lugar". Isso é estrutural — não é moda de temporada.

Quantos viajantes escolhem o destino pela comida?

Os dados de 2026 são bastante claros:

  • 84% dos viajantes internacionais dizem que a gastronomia local influencia a escolha do destino.

  • 92% dizem que a cena gastronômica influencia a escolha da cidade dentro de uma região.

  • 38% apontam a comida como fator principal na escolha do destino — eram cerca de 22% em 2018.

  • 27% montam a viagem especificamente em torno de restaurantes ou experiências gastronômicas.

  • 52% dos viajantes das gerações Y e Z afirmam que voltariam a um destino especificamente pela comida.

O salto no item "fator principal" é o mais revelador. Uma década atrás, a comida era consideração secundária: o viajante escolhia Paris pelos museus e, de quebra, comia bem. Hoje, uma parcela crescente escolhe Paris principalmente pela comida, e os museus é que entram como bônus.

Para o restaurante, isso tem consequência prática direta. O turista que chega numa cidade escolhida pela gastronomia é mais deliberado, entende mais de comida, procura casas específicas e está mais disposto a gastar numa refeição memorável. Ele não caiu ali por acaso — ele pesquisou.

Quais cidades estão surgindo como destinos gastronômicos?

As capitais clássicas continuam sendo as mais visitadas, mas a última década ampliou de forma significativa o mapa do que se considera um destino gastronômico.

As capitais consolidadas

  • Paris— alta gastronomia, bistrôs, brasseries e a escola francesa de confeitaria.

  • Roma— cozinha romana e a amplitude das cozinhas regionais italianas.

  • Tóquio— sushi, ramen, izakaya e kaiseki; a cidade com mais estrelas Michelin do mundo.

  • Nova York— variedade global e uma cena de restaurantes independentes sem paralelo.

  • Barcelona— cozinha catalã e a espanhola contemporânea.

  • Hong Kong— cozinha cantonesa, dim sum e fusões.

As novas capitais em ascensão

  • Lima, Peru— reconhecimento global da cozinha peruana contemporânea, com casas como Maido, Central e Mil; a fusão nikkei virou tradição respeitada.

  • Lisboa, Portugal— cozinha portuguesa moderna, peixe fresco, a cultura dos pastéis e preços ainda acessíveis.

  • Cidade do México— reconhecimento tanto da cozinha tradicional quanto da contemporânea, com Pujol, Quintonil e Sud777.

  • Tbilisi, Geórgia— a cozinha georgiana entrou no radar mundial e a cidade virou destino.

  • Singapura— a cultura dos hawker centres reconhecida como patrimônio e uma das maiores densidades de alta gastronomia da Ásia.

  • Lyon, França— capital da bistronomia, dos bouchons tradicionais e do legado de Paul Bocuse.

  • Istambul, Turquia— cozinha turca historicamente subestimada, agora em pleno reconhecimento.

  • Saigon (Ho Chi Minh), Vietnã— a cozinha vietnamita em ascensão global, com uma cultura de comida de rua excepcional.

De olho no horizonte de 2027 e 2028

  • Bangkok— para além do óbvio, a alta gastronomia tailandesa contemporânea.

  • Tel Aviv— a cozinha israelense moderna.

  • Manila— a cozinha filipina entrando no reconhecimento global.

  • Tirana, Albânia— cozinha mediterrânea-adriática, fortemente subestimada.

  • Marrakech— a cozinha marroquina em processo de reconhecimento internacional.

O padrão é evidente: cozinhas consideradas de segunda linha há dez anos — peruana, filipina, georgiana, turca — hoje sustentam destinos de primeira grandeza. E o Brasil se encaixa exatamente nesse tipo de trajetória: a cozinha brasileira tem regionalidade, produto e narrativa suficientes para ocupar esse espaço, e cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Belém já aparecem com frequência crescente em listas internacionais.

Quem é o viajante gastronômico?

Por faixa etária:

  • 25 a 44 anos: o grupo dominante. Gastam cerca de 30% do orçamento de viagem com comida e viajam em média três vezes por ano.

  • 45 a 64 anos: participação relevante, com cerca de 22% do orçamento destinado à alimentação.

  • 65 ou mais: fatia menor, mas crescendo, e com gasto por refeição frequentemente mais alto.

  • 18 a 24 anos: fatia pequena, porém a de crescimento mais rápido.

Por renda: ao contrário do que se imagina, turismo gastronômico não é fenômeno exclusivo de alta renda. O maior segmento isolado é o de renda média. A alta renda se concentra no topo — omakase, casas com estrela, viagens de ocasião especial.

Por origem: norte-americanos formam o maior mercado emissor para o turismo gastronômico na Europa; os viajantes do Leste Asiático são o mercado que cresce mais rápido; os europeus dominam o fluxo dentro da própria Europa e no Mediterrâneo; e os latino-americanos crescem sobretudo dentro da própria América Latina — o que significa que o vizinho argentino, chileno ou uruguaio é um público real e próximo para casas brasileiras.

Por estilo de viagem: boa parte combina gastronomia com história, arte ou natureza, mas cresce o número de viagens exclusivamente gastronômicas, de cinco a sete dias dedicados à cena de uma única cidade. Vale notar também a alta proporção de viajantes solo nesse recorte — cerca de 22%, bem acima da média do turismo em geral.

Como um restaurante pequeno aproveita essa onda

Cinco estratégias que funcionam de verdade para casas independentes:

1. Torne a identidade da sua cozinha inconfundível

Turistas que escolhem destinos pela comida chegam com cozinhas específicas em mente. Um restaurante que se apresenta como "comida italiana" é invisível diante de um que se apresenta como "frutos do mar sicilianos, ao estilo de Catânia". A mesma lógica vale aqui: "comida brasileira" diz muito menos do que "cozinha caiçara do litoral paulista" ou "peixes e ervas amazônicas".

O que fazer: ancore a casa em uma identidade regional ou estilística precisa e use essa identidade em todos os lugares — perfil no Google, descrição do cardápio, bio do Instagram, textos que os assistentes de IA vão ler.

2. Tenha um prato-assinatura que as pessoas citem pelo nome

Turistas frequentemente escolhem restaurantes por causa de um único prato icônico. A sua casa precisa de um — um prato que apareça citado em blog de gastronomia, vídeo de TikTok e guia de viagem.

Ele não precisa ser uma invenção. Pode ser um clássico regional executado excepcionalmente bem, ou uma leitura pessoal de uma tradição. O que importa é que seja o prato que as pessoas associam ao seu nome.

3. Facilite a reserva para quem não é da cidade

Turistas costumam reservar de duas a quatro semanas antes da viagem. Restaurantes que não aceitam reserva antecipada — ou que só aceitam por telefone, no idioma local — simplesmente perdem esse público.

O que fazer: mantenha uma integração clara de reservas e um link visível a partir do perfil no Google, do Instagram e de qualquer lugar onde a IA possa encontrar sua casa.

4. Construa credibilidade entre culturas

Turista confia em restaurante que outros turistas recomendam. Os sinais que se acumulam:

  • Avaliações no Google e em plataformas de viagem escritas por visitantes internacionais, nos idiomas originais deles.

  • Menções em blogs de gastronomia e em textos de jornalistas de viagem.

  • Indicações de criadores de conteúdo com audiência internacional.

  • Recomendações vindas de assistentes de IA, que hoje respondem a boa parte das perguntas do tipo "onde comer em...".

5. Garanta que a experiência sobreviva à barreira do idioma

Um restaurante que aparece lindo no Instagram e é bem avaliado em inglês, mas que não consegue atender bem um estrangeiro na hora H, perde a confiança do viajante gastronômico rapidamente. O básico faz diferença:

  • Cardápio multilíngue com filtro de alérgenos.

  • Equipe treinada para receber clientes estrangeiros.

  • Foto de cada prato.

  • Caminhos claros para reserva, pagamento e adaptação de restrições alimentares.

O Intermenu cobre três dessas cinco frentes — cardápio multilíngue, filtro de alérgenos e fotografia de pratos com IA — em uma plataforma só, fazendo com que a experiência na chegada corresponda à promessa da descoberta.

O Brasil dos dois lados da equação

Para operadores brasileiros, vale enxergar o movimento nas duas direções. De um lado, o brasileiro é um viajante gastronômico cada vez mais ativo, que planeja roteiro por restaurante e volta para casa com repertório novo — o que eleva a exigência do público local.

Do outro, o Brasil recebe um fluxo internacional que quase sempre chega curioso e desinformado sobre a comida. Nomes como tapioca, açaí, moqueca, acarajé, pão de queijo e feijoada não precisam ser traduzidos; precisam ser explicados. Um cardápio que apresente o prato no idioma do visitante, com a origem, o que esperar e os alérgenos marcados, converte muito melhor do que um que apenas traduz o nome ao pé da letra — e evita a frustração de quem pede algo que não era o que imaginava.

Para onde isso caminha

De 2027 a 2030: roteiros gastronômicos curados por IA devem se tornar comuns — o viajante descreve suas preferências e recebe um roteiro de cinco dias pronto. A tradução de cardápio em tempo real por câmera se soma à abordagem já consolidada do QR Code. Nichos hiperespecíficos ganham corpo: viagem sem glúten, vegana, halal, sem álcool. E a sustentabilidade entra de vez como critério de escolha.

De 2030 a 2035: cardápios em realidade aumentada com história do prato e origem dos ingredientes; assistentes de IA atuando como guia culinário dentro do salão; e mudanças climáticas redesenhando quais regiões seguem viáveis como destino gastronômico.

Depois de 2035: a expectativa é que o turismo gastronômico amadureça para algo entre 40% e 50% do gasto turístico global, com destinos definidos por cozinha se tornando tão relevantes quanto os definidos por patrimônio histórico.

A conclusão prática: isso é uma mudança geracional, não uma onda. Quem investe agora em infraestrutura para receber o viajante gastronômico tem vento a favor por décadas.

O que isso significa para o seu restaurante em 2026

Primeiro: a proporção de estrangeiros no seu salão vai crescer. Se hoje são 30% dos couverts, é plausível chegar a 40% ou 50% nos próximos cinco anos em áreas turísticas. As decisões de infraestrutura que você toma agora — cardápio multilíngue, filtro de alérgenos, visibilidade nas buscas com IA — rendem juros compostos.

Segundo: o ticket médio do turista tende a continuar subindo. A disposição de gastar numa refeição memorável cresce a cada ano, e quem se posiciona como experiência, e não como refeição de commodity, captura essa diferença.

Terceiro: quem vence é quem tem identidade. Restaurante genérico perde participação; restaurante com recorte regional claro e autêntico ganha. A pergunta estratégica de 2026 para quem opera em área turística é direta: o que torna a sua casa insubstituível para um viajante que veio pela comida? A resposta precisa aparecer em cada camada da operação.

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do mercado de turismo gastronômico em 2026?

Cerca de 1,6 trilhão de dólares globalmente, com projeção de 2 trilhões até 2027, crescendo de 14% a 16% ao ano desde 2022.

Quantos viajantes escolhem o destino pela comida?

84% dizem que a comida influencia a escolha do destino, 92% na escolha da cidade, 38% apontam a comida como fator principal e 27% planejam a viagem em torno de experiências gastronômicas.

Quais cidades são os novos destinos gastronômicos?

Entre as consolidadas: Paris, Roma, Tóquio, Nova York, Barcelona e Hong Kong. Em ascensão: Lima, Lisboa, Cidade do México, Tbilisi, Singapura, Lyon, Istambul e Saigon.

Qual público move o turismo gastronômico?

A faixa de 25 a 44 anos domina, destinando cerca de 30% do orçamento de viagem à comida. Famílias de renda média formam o maior segmento, e norte-americanos e asiáticos do Leste são os principais mercados emissores.

Como um restaurante pequeno aproveita essa tendência?

Identidade de cozinha específica, prato-assinatura reconhecível, reserva fácil para quem não é da cidade, credibilidade entre culturas e uma experiência na chegada que corresponda à promessa feita na descoberta.

Vale a pena investir nisso se a minha cidade não é turística?

Vale, em escala menor. Mesmo cidades de fluxo modesto recebem visitantes de negócios, eventos e turismo regional. Cardápio multilíngue e boa presença nas buscas custam pouco e continuam servindo ao público local.

Prepare-se para receber o viajante gastronômico

O turismo gastronômico é a tendência estrutural mais confiável do marketing de restaurantes para a próxima década. Quem se posiciona agora acumula vantagem ao longo de anos, não de meses.

O Intermenu cuida justamente da parte que o viajante mais valoriza na chegada — cardápio multilíngue, filtro de alérgenos, fotografia de pratos com IA e marcação estruturada de cozinha e região — em uma plataforma só.

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Escrito por

Ibrahim Anjro

Founder & Business Developer

+10 years of exp in Business Development