Marcação de Alérgenos no Cardápio: Ícones, Texto e Filtros
A forma certa de declarar alérgenos é dado estruturado, não texto na descrição. Veja o padrão de ícones, o posicionamento ideal e como montar um filtro que o cliente usa sozinho.
Marcar alérgenos parece um detalhe de design, mas é uma das decisões mais consequentes do cardápio. Feita direito, ela protege o cliente, protege o restaurante juridicamente e ainda melhora a experiência de quem tem restrição alimentar. Feita errado — normalmente escrevendo "contém castanhas" no meio da descrição — ela cria ruído, quebra na tradução e vira prova contra a casa quando algo dá errado.
Este guia responde às perguntas práticas: ícone ou texto? Onde posicionar? Como montar um filtro para o cliente? E como fazer tudo isso funcionar em vários idiomas sem que a informação se perca no caminho.
TL;DR: o essencial
A forma correta de marcar alérgenos é dado estruturado por prato + ícone padronizado + a palavra no idioma local. Nunca como texto corrido traduzível.
Todo prato precisa de marcação, com ícone (para varredura visual rápida) e palavra (para clareza e cumprimento legal).
O filtro de alérgenos do lado do cliente é a melhoria de experiência com maior retorno: ele substitui a maior parte das interações "isso é seguro para mim?" no salão.
Ícones não são universais. Padronize o conjunto e sempre combine com a palavra escrita para eliminar ambiguidade.
Separe alérgeno de marcador de dieta. Vegetariano, vegano e halal são preferência; alérgeno é informação de segurança. Misturar os dois quebra os dois filtros.
Antes do design: o que a lei brasileira espera de você
Vale começar pelo enquadramento, porque ele define o mínimo aceitável.
A RDC 26/2015 da Anvisa rege a declaração de alérgenos em rótulos de alimentos embalados e padroniza a redação: "Alérgicos: Contém (nome comum do alimento)", "Alérgicos: Contém derivados de (nome comum)" e "Alérgicos: Pode conter (nome comum)". Se o seu restaurante vende qualquer item embalado no próprio estabelecimento — marmita, sanduíche de geladeira, bolo em pote, molho engarrafado —, essa redação é obrigatória no rótulo.
Para o prato servido à mesa, a obrigação vem do Código de Defesa do Consumidor: os artigos 6º, III, e 31 exigem informação clara, correta, precisa e ostensiva sobre composição e riscos. Some a isso a Lei 10.674/2003("Contém Glúten" / "Não Contém Glúten") e a RDC 136/2017, que trata da declaração de lactose.
Se você atende turistas europeus ou exporta, entra ainda o Regulamento (UE) 1169/2011— norma europeia que obriga a declaração de 14 alérgenos inclusive em alimentos não pré-embalados servidos em restaurantes. Não vale no Brasil, mas define a expectativa do hóspede estrangeiro e cobre quatro itens ausentes da lista brasileira: aipo, mostarda, gergelim e tremoço.
Conclusão prática de design: quem marca a união das duas listas resolve o cliente brasileiro e o estrangeiro com o mesmo cardápio.
Alérgenos devem ser ícone, texto ou os dois?
Os dois. Sempre.
O ícone permite varredura visual rápida, o que importa muito para quem tem várias restrições e precisa filtrar o cardápio inteiro em segundos. A palavra escrita cumpre a exigência de informação clara e elimina a ambiguidade do ícone para quem não conhece a convenção local.
O padrão que funciona em cardápio digital:
Uma linha discreta de ícones logo abaixo de cada prato, mostrando os alérgenos presentes.
A palavra equivalente visível ao tocar, passar o mouse ou abrir o detalhe do prato.
Ícone e palavra localizados no idioma selecionado pelo cliente.
No cardápio impresso, o equivalente é ícone mais abreviação por prato (G para glúten, L para lactose, e assim por diante), com a legenda no rodapé ou no verso.
O que não fazer: escrever o alérgeno dentro da descrição do prato ("contém castanhas e leite"). É o erro mais comum e o pior de todos, porque some no meio do texto, não é filtrável e se deforma na tradução.
Como mostrar alérgenos sem deixar o cardápio feio
Quase todo operador teme que a declaração de alérgenos polua o cardápio. Na prática, uma marcação bem desenhada é invisível para quem não precisa dela e imediatamente útil para quem precisa.
Cinco princípios de design:
Menor e abaixo do preço na hierarquia visual. Os ícones devem ser visíveis, mas secundários em relação à descrição. Algo em torno de 60% a 70% do tamanho da fonte do preço, em uma linha logo abaixo da descrição, resolve visibilidade e discrição ao mesmo tempo.
Conjunto de ícones consistente. O mesmo alérgeno usa o mesmo ícone em todo o cardápio, sempre. Ícone de trigo em um lugar e a palavra "glúten" em outro cria inconsistência que atrapalha a leitura.
Cor com parcimônia. Algumas plataformas usam cor por prioridade (vermelho para castanhas e frutos do mar, âmbar para leite e ovo, neutro para os demais). Funciona, mas em excesso vira poluição visual.
Simplificação quando o filtro está ativo. Quem filtrou "sem frutos do mar" não precisa ver ícones de frutos do mar em pratos que já sumiram. O cardápio digital simplifica a exibição automaticamente.
Detalhe sob demanda. Um pequeno "i" ao lado dos ícones abre a informação completa: "contém castanhas — pinoli; pode conter glúten — contaminação cruzada na fritadeira". Aparece só para quem quer ver.
Restaurantes que acertam o design relatam um efeito colateral positivo: a declaração de alérgenos deixa de ser obrigação burocrática e vira sinal de qualidade. O cliente entende que aquela cozinha leva segurança a sério.
Onde os alérgenos devem aparecer na página do cardápio
Em cardápio digital, a resposta é: logo abaixo da descrição do prato, antes do preço.
O fluxo natural de leitura é este:
O cliente vê o nome do prato.
Lê a descrição.
Passa os olhos pelos ícones de alérgeno — inconscientemente, se não tem restrição; conscientemente, se tem.
Vê o preço.
Decide se pede.
Colocar o alérgeno depois do preço interrompe a decisão que já foi tomada. Colocar antes da descrição obriga o cliente a processar a informação antes de saber o que é o prato. Abaixo da descrição e antes do preço é o encaixe certo.
No cardápio impresso, a mesma lógica: código abreviado imediatamente depois da descrição, antes da coluna de preço.
Como permitir que o cliente filtre por alérgeno
O filtro de alérgenos é a funcionalidade de maior alavancagem em um cardápio por QR code — e é simples de configurar quando os dados do cardápio estão estruturados.
A configuração:
Todo prato marcado com dado estruturado de alérgeno, usando como base a lista da RDC 26/2015 somada aos alérgenos europeus ausentes dela.
A interface do cardápio expõe uma faixa de filtros no topo: "sem glúten | sem leite | sem castanhas | sem frutos do mar | sem ovo…".
Ao tocar em um filtro, os pratos que contêm aquele alérgeno somem da tela.
Os filtros se combinam: "sem glúten + sem leite" oculta qualquer prato que contenha um dos dois.
Um botão de "mostrar tudo" restaura o cardápio completo.
A experiência do cliente: quem tem alergia a castanhas toca uma vez em "sem castanhas" no início da refeição. Todos os pratos com castanha desaparecem. A pessoa navega só pelo que é seguro, sem precisar chamar o garçom e sem a ansiedade de imaginar o que pode estar escondido.
O impacto no negócio: cliente com restrição pede com mais confiança e gasta mais. O tempo de salão antes gasto em "isso tem leite?" migra para outras funções. E a experiência de comer com segurança é rara o bastante para virar recomendação espontânea.
O impacto em conformidade: o filtro não substitui a declaração por prato — cada prato continua exibindo os próprios ícones —, mas reduz drasticamente o atrito de encontrar as opções seguras. E, como bônus, a plataforma registra de forma anônima quais filtros são mais usados, o que costuma revelar demandas que a casa nem imaginava ter.
A Intermenu traz o filtro de alérgenos embutido no cardápio por QR code. Depois que os alérgenos estão marcados nos pratos, o filtro do lado do cliente funciona automaticamente.
Os ícones de alérgeno são compreendidos em todas as culturas?
Na maior parte, sim — com exceções importantes.
Ícones que atravessam culturas bem:
Trigo (glúten)— espiga ou fatia de pão, reconhecida em quase todo lugar.
Leite— caixa de leite ou gota.
Ovo— universalmente reconhecido.
Peixe— universalmente reconhecido.
Amendoim— reconhecido na maioria das culturas.
Castanhas— em geral representadas por avelã ou amêndoa.
Crustáceos— camarão ou caranguejo funcionam bem.
Ícones que não atravessam bem:
Gergelim— confundido com papoula ou com "sementes pequenas" em geral.
Soja— ícones de grão podem significar feijões diferentes em culturas diferentes.
Mostarda— o círculo amarelo é ambíguo fora do contexto ocidental.
Aipo— visualmente parecido com ervas em vários repertórios.
Sulfitos— praticamente não existe ícone reconhecido. Use a palavra.
Regra prática: para os sete alérgenos mais reconhecidos, o ícone sozinho dá conta; para os demais, ícone e palavra sempre juntos. Use o conjunto de ícones padrão da sua plataforma — conjunto personalizado introduz risco e quase nunca melhora a clareza.
Como nomear cada alérgeno em português
Nomenclatura importa. Use os nomes comuns que o consumidor brasileiro reconhece, na linha do que a RDC 26/2015 determina:
Glúten (trigo, centeio, cevada, aveia) — evite escrever só "trigo" se o prato leva cevada.
Leite— para alergia à proteína do leite. Separe de lactose, que é intolerância.
Ovo, Peixe, Crustáceos, Moluscos.
Amendoim— nunca agrupe com castanhas: são alérgenos distintos.
Castanhas— e, no detalhe, o subtipo: castanha-de-caju, castanha-do-pará, amêndoa, avelã, macadâmia, noz, pecã, pistache, pinoli.
Soja, Gergelim, Aipo (salsão), Mostarda, Tremoço, Sulfitos, Látex natural.
Alérgeno não é marcador de dieta
Alérgeno é categoria legal de informação de segurança. Marcador de dieta (vegetariano, vegano, halal, kosher, sem glúten, low FODMAP) é categoria de preferência do cliente. Os dois se sobrepõem, mas não são a mesma coisa.
A configuração correta: alérgenos em um campo estruturado, exibidos como ícone mais palavra; marcadores de dieta em um campo estruturado separado, com o próprio conjunto de ícones.
Por que a separação importa:
Quem filtra por "vegetariano" espera pratos pensados como vegetarianos, não pratos que por acaso não têm carne.
Quem filtra por "halal" espera preparo verificado, não apenas ausência de porco.
Quem é celíaco precisa do alérgeno "glúten"e de um marcador de "seguro para celíacos", porque a contaminação cruzada muda tudo.
Estruturados separadamente, os dois filtros funcionam. Misturados, nenhum dos dois é confiável.
O erro clássico: o "(V)" que não sobrevive à tradução
Um exemplo real. O cardápio em inglês marca pratos com "(V)" para vegetariano. O motor de tradução mantém "(V)" em todas as versões, assumindo que o operador quer a abreviação consistente.
O problema:"(V)" é claro em inglês. Em outros idiomas, pode não significar nada — ou pode ser lido como "vegano", o que muda completamente a informação para quem consome laticínio.
A correção: tratar marcador de dieta como etiqueta estruturada, nunca como texto abreviado. A plataforma renderiza o ícone padronizado e a palavra local automaticamente: "(V)" em inglês, "Vegetariano" em português e em italiano, "végétarien" em francês, cada um com o mesmo ícone.
O mesmo padrão vale para alérgenos. Tratar alérgeno como dado estruturado, e nunca como prosa abreviada, elimina de uma vez a categoria inteira de erro de tradução — a mesma que já custou acordos de seis dígitos a restaurantes europeus.
Checklist de implantação em cinco etapas
Levante a ficha técnica de cada prato, incluindo caldos, molhos, marinadas, óleos e finalizações. É a parte mais trabalhosa e a única insubstituível.
Marque o "contém" e o "pode conter" separadamente. O primeiro vem da receita; o segundo, do fluxo real da cozinha.
Publique com ícone e palavra em todos os idiomas ativos do cardápio, e confira ao menos um prato por idioma.
Ative o filtro para o cliente e teste você mesmo, no celular, como se fosse um cliente com três restrições.
Documente a auditoria— data, responsável e fontes. Repita anualmente e sempre que trocar um fornecedor relevante.
Perguntas frequentes
Alérgenos devem ser ícone ou texto?
Os dois. Ícone para varredura rápida, palavra para clareza e cumprimento do dever de informar. Plataformas modernas renderizam ambos automaticamente quando o alérgeno é dado estruturado.
Como declarar alérgenos sem poluir o cardápio?
Ícones menores que o preço, logo abaixo da descrição, conjunto consistente e detalhe completo só sob demanda. Bem feita, a marcação é invisível para quem não precisa dela.
Onde os alérgenos devem aparecer na página?
Diretamente abaixo da descrição do prato e antes do preço — é onde eles se encaixam no fluxo natural de decisão do cliente.
Como criar um filtro de alérgenos para o cliente?
Marque os alérgenos como dado estruturado em cada prato e exponha uma faixa de filtros no topo do cardápio digital. O cliente toca no que quer ocultar e o cardápio se redesenha mostrando só o que é seguro.
Os ícones de alérgeno são entendidos em qualquer cultura?
Os sete mais comuns (glúten, leite, ovo, peixe, amendoim, castanhas e crustáceos) sim. Gergelim, soja, mostarda, aipo, sulfitos, tremoço e moluscos precisam de ícone acompanhado da palavra escrita.
Posso escrever o alérgeno na descrição do prato?
Pode, mas não deve ser a sua única marcação. Texto dentro da descrição não é filtrável, se perde na leitura rápida e se deforma na tradução. Use dado estruturado e, se quiser, mantenha a menção no texto como reforço.
Deixe o cliente filtrar o cardápio pelos próprios alérgenos
Declaração manual de alérgeno em cardápio multilíngue é frágil por natureza. Marcação estruturada, combinada com filtro do lado do cliente, é robusta, acessível e atravessa qualquer idioma sem desvio.
A Intermenu traz o filtro de alérgenos por padrão no cardápio por QR code: você marca uma vez, ele é exibido em todos os idiomas e o cliente encontra as opções seguras sem precisar chamar ninguém.